MALAIKAT
CAPÍTULO I – PLANÍCIE SANGRENTA
Uma planície que se estendia até onde os olhos podem ver. Um leve brilho do sol que ia desaparecendo aos poucos, enquanto a grande estrela ia sumindo no horizonte aparentemente interminável. Um ambiente seco e morto, sem plantas, árvores ou qualquer coisa que dê alguma vida ao local. O que se via eram apenas algumas pedras espalhadas ao longo daquela imensidão. E o cheiro de sangue, ah, o inconfundível cheiro de sangue que pairava por aquela paisagem quase sem luz neste momento. Abutres planavam sobre os corpos totalmente sem vida que cobriam quilômetros de terra e pedras. Corpos? Era o que pareciam ao menos, já que a brutalidade do massacre ao qual foram submetidos era indescritível. Armaduras e espadas que pertenciam aos soldados pareciam feitas de papel quando se observava a simplicidade com que foram partidas em pedaços. Em um cenário tão devastador alguém permanecia em pé, ofuscado pela escuridão, alguém com músculos fortes e porte atlético, alto e levemente corcunda. Um homem poderia fazer tudo aquilo? Permaneceu imóvel olhando para o cenário que ele mesmo tinha construído com suas duas espadas, as quais carregava cobertas de sangue humano, assim como seu corpo. Uma risada lunática se ouviu do assassino seguida por uma brusca alteração de humor, uma voz que poderia ser traduzida como o puro ódio saindo da boca daquele estranho homem:
- FISNIK!
Longe daquele cenário grotesco, já no dia seguinte, uma bela cidade, aparentemente próspera, tinha um dia ensolarado e tranqüilo. Era uma grande vila com casas, mercados, e todo tipo de comércio que poderia imaginar-se. As pessoas se vestiam bem e eram saudáveis. Exatamente no centro da cidade, coberta por muros altos e constantemente vigiados por guardas, encontrava-se um castelo imponente e grandioso, construído com pedras brancas extremamente sólidas, encontradas por soldados décadas antes em uma viagem a um reino aliado. Dizia-se que as pedras eram mágicas, e que nem sequer Deus poderia destruir tal castelo. No topo do castelo, uma bandeira belíssima de cor vermelha e branca balançava com o vento. Um escudo nela estava gravado, o símbolo da nação guerreira de Skild. Em um dos aposentos estava uma jovem de cabelos loiros e longos, vestida com trajes nobres e azuis. Sua pele era branca e delicada e se tratava de uma mulher de estatura média, com belas curvas. Era a princesa Mila, o sonho de qualquer homem que já a tivesse olhado em sua vida. Enquanto olhava pela janela do castelo todas as vidas que se encontravam e conviviam lá embaixo, as portas de seu quarto se abrem e aparece um grisalho homem, alto e forte, de aparência muito boa e com a barba feita. Ele se aproxima de Mila vestido em roupas do mais nobre tecido daquela cidade, e fala:
- Minha filha, minha doce princesa Mila, como você está hoje? Não tive tempo de vir lhe visitar antes, peço desculpas.
- Tudo bem papai, estou bem – diz Mila com certo tom de tristeza.
- Não se esqueça que daqui a dois dias chegará a Skild o príncipe do reino Swaard, para acertarmos os detalhes de seu casamento, espero que se prepare bem para conhecer seu futuro marido minha princesa.
- Papai, já conversamos sobre isso. Já que não posso fugir do meu destino com este homem a quem sequer conheço, me deixe pelo menos ficar em paz enquanto o senhor traça o meu destino por mim. – diz Mila indiferente, sem sequer expressar um sorriso ou lágrima para seu pai.
- Por favor, não dificulte as coisas! Você sabe que Skild e Swaard são os dois reinos mais fortes militarmente, não podemos deixar escapar uma oportunidade dessas. Se fizermos uma aliança entre nossos exércitos podemos conquistar qualquer coisa que quisermos!
Um barulho na porta se ouve nesse momento:
- Rei Fisnik, aqui quem fala é o general Balans. Podemos conversar um instante?
Aquela voz grave, mas ao mesmo tempo suave ecoa nos ouvidos de Mila, que sente um arrepio sem igual passar por seu corpo inteiro, porém, não se move para que seu pai não perceba seus sentimentos.
- Estou indo general! E você minha filha, pense no que eu disse. – diz o pai de Mila, saindo pela porta.
Do lado de fora Balans está de prontidão esperando por seu rei. Um homem de cabelos até o ombro, moreno, forte e alto. Estava trajado com sua armadura de batalha como de costume, uma armadura negra com o símbolo de Skild na altura do peito.
- Fale Balans, você tem minha atenção! – fala Fisnik impaciente.
- Meu Rei, acabamos de receber um relato de um viajante nosso que passava pelo lado sul da Planície Aravath. Ele disse que pôde ver a vários quilômetro corpos de soldados com armaduras, e meu Rei, ele disse que eram nossas armaduras.
- O que? Os mil soldados que enviamos para barrar os espiões de Boos? Impossível, recebemos informações de nosso infiltrado de que um pequeno esquadrão de soldados da classe Ninja estaria vindo para uma infiltração e assassinato de pessoas chaves de nosso reino, não são soldados especialista em combate, vinte de nossos soldados dariam conta deles. Mandei um pequeno exército de mil homens exatamente para prevenir que meu informante nos traísse e fôssemos pegos em uma emboscada. Como poderiam eles ser derrotados, são soldados Skild! – o Rei fica inconformado com a notícia.
- Calma, por favor, ainda não sabemos se o que nosso viajante viu é realmente o que nos falou. Vou mandar agora um esquadrão verificar de perto a informação, ai sim poderemos tirar alguma conclusão.
- Faça isso, preciso saber o que realmente aconteceu naquela planície. – diz o Rei.
- Eu pessoalmente irei verificar a veracidade de tais fatos meu senhor, com a sua licença.
Balans sai para reunir mais soldados e verificar o que aconteceu na Planície Aravath. Quais serão as conclusões que o mesmo tirará perante tal atrocidade?